sexta-feira, 27 de abril de 2012

Amor e honra - Parte 12 - Adeus


Daisuke estava se sufocando, a rocha ao redor do seu corpo era forte e o apertava com vontade. Mas como uma carpa que não se move diante a morte, assim estava Daisuke, em silêncio.
Ao contrário estava Hanami, que gritava em desespero. Suas mãos que estavam cansadas de suportar o próprio peso do corpo, a qualquer momento podiam ceder e a derrubar na lava quente.

-- Daisuke!
-- Primeiro o silencioso... Depois a barulhenta! – Dizia o bruxo.
Layla pensava o que fazer, mas não sabia como vencer aquele homem, naquela situação sem derramar uma gota de sangue. Segurando as grades de pedra que rodeavam Derek, ela olhava para o chão, na parte de baixo do vulcão. Os samurais ajudavam os feridos e lamentavam os mortos.
-- Tantas mortes... Tanta destruição... – Ela olhou nos olhos de Derek. – São pela minha causa... Não é?
-- Claro que não, Layla! Você não tem culpa... – Derek colocava as mãos sobre as mãos da meio-elfa que seguravam as grades de pedra.
Ouviu-se o grito de Hanami, finalmente um sinal de vida da amiga e pelo grito ela estava com problemas. Layla levantou-se, virou-se contra seus pais e Derek e começou a caminhar em direção às rochas quebradas.
-- Layla! O que você vai fazer? – Gritava sua mãe, sem resposta.
Layla chegava à ponta do rochedo que ainda estava intacta, de onde ela se encontrava podia-se ver os outros e os outros a ela.
Assim que Hanami viu a sacerdotisa, o bruxo seguiu o olhar, deixando de apertar Daisuke:
-- Então precisei fazer sua amiga gritar de sofrimento para você finalmente aparecer?
-- Larguem eles Bruxo da Montanha! – Gritou Layla. – Se é a mim que você quer, sou eu que você terá!
A meio-elfa fecha os olhos e em uma língua estranha começa a fazer orações.
-- O que você pensa que vai fazer? – O bruxo começou a mexer os braços e as colunas, com exceção as que seguravam Daisuke e Hanami, iam em direção à Layla, prontas para segurá-la como seguravam o samurai.
Uma leve luz com delicadas penas brancas caiu sobre Layla, o símbolo de uma espada virada para baixo brilhou em seus pés e logo em seguida em seus braços como a uma tatuagem brilhosa.

Assim que as colunas se aproximavam de Layla, ela corria para cima delas.
-- Maagany ajudai-me! – A meio-elfa pulava por cima das rochas correndo sobre elas enquanto as mesmas passavam em direção contrária.
Hanami olhava impressionada para a velocidade da amiga:
-- Quando ela ficou forte assim?
-- Benção Divina... – Disse Daisuke também olhando. – Sacerdotes podem invocar seus deuses para ficarem mais rápidos e mais fortes...
-- É incrível...
Layla se aproximava do bruxo, o mesmo começava a se preocupar, ela estava muito rápida e fazia movimentos complexos, como se equilibrar em um braço sobre a coluna em movimento.
Após correr acima de varias colunas esquivando-se com destreza, finalmente Layla chegou perto do bruxo. Os olhos do mesmo estavam nervosos, o calor que emana do vulcão parecia aumentar mais. Layla vinha para cima dele em alta velocidade, o mesmo começa a levantar a mão para controlar qualquer rocha que ainda houvesse por perto para poder se proteger, mas Layla o pegou desprevenido, não houve tempo para a magia ser completa. Uma coluna havia se movido para atacar aquela que rasgava o ar, descendo graciosamente em alta velocidade, quando a coluna chegou perto, Layla também se aproximou do bruxo e com um empurrão, derrubou-lhe para a morte certa na lava borbulhante. Desesperada o braço do místico fez um ultimo movimento, controlando a coluna que se movia. A coluna passou perto da meio-elfa que estava sobre o suporte de rocha em formato de mão, criado pelo bruxo para ele mesmo. A rocha passou numa distancia certa para fazer-lhe um pequeno e inofensivo corte na perna. Enquanto Layla estancava o pouco de sangue que saia do corte o bruxo gritava de dor, tendo o corpo consumido pela lava mortal.
Houve então silêncio.
Ele estava morto.

 -- Layla! – Gritou Hanami, tirando sua wakizaki da cintura e cravando-a na coluna usando ela e a katana para se locomover. – Você está bem? – Dizia ela olhando à amiga que estava abaixada e com o rosto coberto por seus cabelos esverdeados, cobrindo o pequeno corte com as mãos.
Daisuke libertava-se da rocha morta que outrora tentava o matar, subindo nela e pulando para o apoio onde Layla ainda estava abaixada.
-- Temos que ajudá-la, ela está sangrando... – Dizia Daisuke, nervoso.
-- Tudo bem, Daisuke! Ela se cura, ela tem poder para isso, não é Layla? – Hanami encostou a mão no ombro da amiga.
-- Eu estou tentando há um tempo já... – Sussurrou Layla. – Eu matei uma pessoa... – A meio-elfa levantou o rosto em lagrimas e começou a gritar desesperadamente: -- Matei uma pessoa! Esse é o pior pecado para a deusa da vida! Maagany me deixou! Eu não sou mais uma de suas sacerdotisas! Me deixou!
E Daisuke e Hanami também choraram.

...
Havia se passado algumas horas e todos se encontrava em um cais, havia vários navios orientais com bandeiras de Darcael movendo-se ao vento. Gaivotas sobrevoavam um céu azul e límpido enquanto marinheiros de olhos puxados e corpos robustos trabalhavam nos navios. Os pais de Layla, livres, conversavam com o pai de Hanami agradecendo a coragem de sua filha.
Daisuke fitava o mar, seu semblante era imponente, belíssimo e altamente másculo. Hanami o olhou... Como ficariam os dois agora? Depois do beijo? Ela passou por trás dele sem fazer um som e seguiu adiante, onde Layla, usando novamente seu vestido de noiva rasgado, agora limpo, mostrava o robô para Derek, que não ligava muito para ele, apenas olhava para ela cada vez mais apaixonado.
-- Tudo bem? – Perguntou Hanami, preocupada. Após saírem do vulcão, Layla chorou copiosamente por algumas horas, por mais que ela e Derek tentassem acalmar a ex-sacerdotisa nada funcionou, mas alguns minutos, sozinha, foram suficientes para ela se recompor.
-- Na medida do possível... – Ela sorriu para a samurai enquanto abraçava o robô.
Hanami sentou ao lado de Layla, deixando-a entre ela e Derek.
-- Sabe... Você atingiu o ponto máximo da honra... – Ela disse para Layla, mas olhando Daisuke ao longe. --... Desistiu de tudo para completar seu objetivo e ajudar quem você ama... Você pode ter perdido os poderes, mas estou certa de que Maagany está orgulhosa de você...
Layla soltou o robô, que flutuou enquanto via a meio-elfa caindo sobre a samurai num forte abraço:
-- Você será sempre uma das minhas melhores amigas...
Hanami sorriu devolvendo o abraço.

...
Os pais de Layla, ela e Derek estavam na proa do navio, prontos para partir, os marinheiros se preparavam para começar a zarpar. Puxavam a ancora e aumentavam o vapor.
Daisuke e Hanami estavam lado a lado, enquanto o senhor Matsumoto se apoiava na bengala, acenando feliz para aqueles que conheceram. Aqueles no navio devolviam os acenos com sorrisos nos rostos.
-- Hanami! Vou sentir saudades! – Gritava Layla enquanto o navio começava a se afastar do porto.
-- Também sentirei! Boa sorte! – Ela acenava e atrás dela o robô flutuava sem ela saber. O pequeno monstro de metal usa suas pequenas mãos e puxa Hanami para cima de Daisuke, que tropeça em seu pé e fica rosto e rosto com ele.
Daisuke sorri e puxa o rosto da guerreira, dando-lhe um forte beijo, enquanto o robô voava para os braços de Layla, sua dona.
-- Boa sorte também, amiga... – Sussurrava Layla com um sorriso nos lábios enquanto Derek a abraçava ainda acenando.
E o navio partiu, levando uma noiva honrada e deixando uma guerreira apaixonada...

FIM

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